A Exposição

A exposição de artes “Heranças do Japão” acontece dos dias 2 a 11 de setembro de 2008, no Espaço Cultural Casa do Lago, Unicamp.

O objetivo da exposição é apresentar a produção de artistas nipo-brasileiros contemporâneos. Os artistas selecionados estão em diferentes momentos da carreira profissional: a maioria é jovem, alguns são recém-formados, outros já ganharam mostras individuais e prêmios fora do país. A intenção é aproximar a comunidade da Unicamp e região da produção de artistas que estão se destacando no cenário brasileiro.

Nem japoneses nem somente brasileiros, estes artistas lidam com a questão da referência à cultura dos antepassados. Mas o que isso significa na produção artística? Existe algo em comum que possa caracterizá-los como artistas nipo-descendentes?

De maneira geral, a primeira leva de imigrantes japoneses, conquistada pela propaganda governamental, almejava retornar ao Japão após “fazer fortuna” no Brasil. Por isso, criava seus filhos na língua e nos costumes de sua região, sem preocupar-se com a integração local ou mesmo com a aprendizagem da língua portuguesa. Cada família transmitiu sua cultura de origem, permeada de regionalismos e escolhas particulares. Este saber não foi uma transmissão uniforme como seria dado pela educação tradicional. Contudo, as gerações posteriores, cada vez mais distantes dos ideais da primeira, estabeleceram outras relações com a cultura dos antepassados para firmar sua própria identidade. Assim, cada artista cria um diálogo diferente com a tradição, já que seu referencial não é único, transformado por sua vivência e sua relação com a imigração.

Em vez de celebrar uma tradição cultural única, procuramos apresentar uma diversidade de escolhas artísticas, pautadas principalmente pela variedade de suportes (vídeo, instalação, grafite…). Daí o título “Heranças” no plural, por remeter a histórias pessoais contidas (e escondidas) em termos abrangentes como “cultura japonesa” e “tradição oriental”, tão celebradas este ano.

Por isso convidamos os artistas participantes a realizar um exercício de reflexão sobre tais questões. O que celebramos quando falamos dos cem anos de imigração japonesa?